B2 B2 · 1180 palavras · 8 min
The Open Window
A janela aberta
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“ , Mr. Nuttel,” ; “ .”
Tradução“Minha tia já vem, sr. Nuttel”, disse uma mocinha de quinze anos, muito senhora de si; “enquanto isso, o senhor vai ter de me aturar.”
Framton Nuttel . .
TraduçãoFramton Nuttel esforçou-se por dizer a coisa certa, algo que lisonjeasse devidamente a sobrinha do momento sem diminuir indevidamente a tia que ainda viria. Em seu íntimo, duvidava mais do que nunca que essas visitas formais a uma sucessão de completos estranhos ajudassem muito na cura de nervos a que supostamente estava se submetendo.
“ ,” ; “ , . . , , .”
Tradução“Já sei como vai ser”, dissera-lhe a irmã quando ele se preparava para migrar para aquele refúgio rural; “você vai se enterrar lá e não falar com viva alma, e seus nervos vão ficar piores do que nunca de tanta melancolia. Vou simplesmente lhe dar cartas de apresentação para todas as pessoas que conheço por lá. Algumas delas, até onde me lembro, eram bem simpáticas.”
Framton Mrs. Sappleton, , .
TraduçãoFramton ficou imaginando se a sra. Sappleton, a senhora a quem ia entregar uma das cartas de apresentação, entrava na categoria das simpáticas.
“ ?” , .
Tradução“O senhor conhece muita gente por aqui?”, perguntou a sobrinha, quando julgou que já tinham passado tempo suficiente em silenciosa comunhão.
“ ,” Framton. “ , , , , .”
Tradução“Quase ninguém”, disse Framton. “Minha irmã esteve hospedada aqui, na casa paroquial, sabe, há uns quatro anos, e me deu cartas de apresentação para algumas pessoas daqui.”
.
TraduçãoFez essa última declaração num tom de nítido pesar.
“ ?” .
Tradução“Então o senhor praticamente não sabe nada sobre minha tia?”, prosseguiu a mocinha senhora de si.
“ ,” . Mrs. Sappleton . undefinable .
Tradução“Só o nome e o endereço”, admitiu o visitante. Ele se perguntava se a sra. Sappleton era casada ou viúva. Algo indefinível na sala parecia sugerir uma presença masculina.
“ ,” ; “ .”
Tradução“A grande tragédia dela aconteceu há exatamente três anos”, disse a menina; “ou seja, depois do tempo da sua irmã.”
“ ?” Framton; .
Tradução“A tragédia dela?”, perguntou Framton; de algum modo, naquele recanto sossegado do campo, tragédias pareciam deslocadas.
“ ,” , .
Tradução“O senhor deve estar se perguntando por que mantemos aquela janela escancarada numa tarde de outubro”, disse a sobrinha, indicando uma grande porta-janela que dava para o gramado.
“ ,” Framton; “ ?”
Tradução“Está bem quente para esta época do ano”, disse Framton; “mas aquela janela tem alguma coisa a ver com a tragédia?”
“ , , . . - . , , . . .” . “ , , . . , , , Ronnie, , ‘Bertie, ? ’ , . , , , —”
Tradução“Por aquela janela, há três anos, exatamente neste dia, o marido dela e seus dois irmãos mais novos saíram para um dia de caça. Nunca voltaram. Ao atravessar a charneca rumo ao seu campo de caça de narcejas preferido, os três foram engolidos por um atoleiro traiçoeiro. Tinha sido aquele verão horrível de chuvas, o senhor sabe, e lugares que em outros anos eram seguros cederam de repente, sem aviso. Os corpos nunca foram encontrados. Essa foi a parte terrível.” Aqui a voz da menina perdeu o tom de quem se domina e tornou-se hesitantemente humana. “A pobre tia sempre acha que eles vão voltar um dia, eles e o cãozinho spaniel marrom que se perdeu com eles, e entrar por aquela janela como costumavam fazer. É por isso que a janela fica aberta todas as tardes até quase anoitecer. Minha pobre querida tia, ela já me contou muitas vezes como eles saíram, o marido com o impermeável branco no braço, e Ronnie, o irmão mais novo, cantando ‘Bertie, por que você salta?’ como sempre fazia para provocá-la, porque ela dizia que aquilo lhe dava nos nervos. Sabe, às vezes em tardes calmas e quietas como esta, quase tenho a sensação arrepiante de que todos eles vão entrar por aquela janela…”
. Framton .
TraduçãoEla se interrompeu com um pequeno calafrio. Foi um alívio para Framton quando a tia entrou apressada na sala, num turbilhão de desculpas por ter demorado a aparecer.
“ Vera ?” .
Tradução“Espero que a Vera tenha divertido o senhor”, disse ela.
“ ,” Framton.
Tradução“Ela foi muito interessante”, disse Framton.
“ ,” Mrs. Sappleton ; “ , . , . , ?”
Tradução“Espero que não se incomode com a janela aberta”, disse a sra. Sappleton, animada; “meu marido e meus irmãos devem chegar da caça a qualquer momento, e sempre entram por aqui. Estiveram caçando narcejas nos brejos hoje, então vão fazer uma bela sujeira nos meus pobres tapetes. Bem coisa de vocês, homens, não é?”
, . Framton . ; , . .
TraduçãoEla tagarelou animada sobre a caça e a escassez de aves, e as perspectivas de patos no inverno. Para Framton, tudo aquilo era puro horror. Fez um esforço desesperado, mas só em parte bem-sucedido, para desviar a conversa para um assunto menos macabro; percebia que a anfitriã lhe dava apenas uma fração de sua atenção, e seus olhos não paravam de se desviar dele para a janela aberta e o gramado além. Era sem dúvida uma coincidência infeliz que ele tivesse feito sua visita naquele aniversário trágico.
“ , , ,” Framton, , . “ ,” .
Tradução“Os médicos concordam em me receitar repouso completo, ausência de agitação mental e distância de qualquer coisa que se pareça com exercício físico violento”, anunciou Framton, que padecia da ilusão bastante difundida de que completos estranhos e conhecidos casuais estão ávidos pelo menor detalhe dos nossos males e achaques, sua causa e cura. “Quanto à dieta, não estão tão de acordo”, continuou.
“?” Mrs. Sappleton, . — Framton .
Tradução“Não?”, disse a sra. Sappleton, numa voz que só no último instante substituiu um bocejo. Então, de repente, animou-se numa atenção alerta, mas não ao que Framton dizia.
“ !” . “ , !”
Tradução“Aí vêm eles, finalmente!”, exclamou. “Bem na hora do chá, e como estão enlameados até os olhos!”
Framton . . Framton .
TraduçãoFramton estremeceu de leve e virou-se para a sobrinha com um olhar destinado a transmitir compreensão solidária. A menina fitava a janela aberta com horror atordoado nos olhos. Num choque gelado de medo sem nome, Framton girou na cadeira e olhou na mesma direção.
; , . . , : “ , Bertie, ?”
TraduçãoNo crepúsculo que se aprofundava, três figuras atravessavam o gramado em direção à janela; todas levavam espingardas debaixo do braço, e uma delas carregava ainda um casaco branco jogado sobre os ombros. Um spaniel marrom, cansado, vinha colado aos seus calcanhares. Sem fazer ruído, aproximaram-se da casa, e então uma voz jovem e rouca entoou no lusco-fusco: “Eu disse: Bertie, por que você salta?”
Framton ; -, -, - . .
TraduçãoFramton agarrou desesperadamente a bengala e o chapéu; a porta do vestíbulo, a alameda de cascalho e o portão da frente foram etapas vagamente notadas de sua fuga desabalada. Um ciclista que vinha pela estrada teve de se jogar na sebe para evitar uma colisão iminente.
“ , ,” , ; “ , . ?”
Tradução“Aqui estamos, querida”, disse o portador do impermeável branco, entrando pela janela; “bem enlameados, mas a maior parte já secou. Quem era aquele que saiu correndo quando nos aproximamos?”
“ , Mr. Nuttel,” Mrs. Sappleton; “ , . .”
Tradução“Um homem muito esquisito, um tal de sr. Nuttel”, disse a sra. Sappleton; “só sabia falar das suas doenças, e saiu em disparada sem uma palavra de despedida ou desculpa quando vocês chegaram. Qualquer um diria que tinha visto um fantasma.”
“ ,” ; “ . , . .”
Tradução“Aposto que foi o spaniel”, disse a sobrinha com calma; “ele me contou que tem horror de cães. Uma vez foi perseguido até um cemitério, em algum lugar às margens do Ganges, por uma matilha de cães sem dono, e teve de passar a noite numa cova recém-cavada, com as feras rosnando, arreganhando os dentes e espumando bem em cima dele. É o bastante para abalar os nervos de qualquer um.”
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TraduçãoInventar histórias de uma hora para outra era a sua especialidade.
Texto original: Project Gutenberg, «Beasts and Super-Beasts» (1914). Domínio público.